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Archive for outubro \18\UTC 2009

Público & privado se confundem no trabalho de Calle.

Público & privado se unem no trabalho de Calle.

Se cuide“. Quem nunca ouviu falar essa expressão? E você, cara leitora, também? Troquemos figurinhas. Foram inúmeras situações. Todas doeram. Sempre foram em momentos de ruptura. A primeira vez, a gente nunca esquece. Tinha 18 anos e um namoradinho, que gerou uma fixação daquelas, foi me deixar em casa quando sem mais nem menos soltou a bendita expressão. Entrei no prédio, chamei o elevador. Daí a luz vermelha que havia apertado me disse: tinha ganho um pé na bunda fino. Uma vez lerda, eterna lerda. Tempos depois dei corda pro danado – realmente a figura é uma graçinha, engraçado, inteligente e complicadinho (do jeito que o diabo gosta, né?) Foi assim que ouvi ele terminar de novo, agora por telefone, com um clássico “a gente se vê”. Ai, ai, ai… Até hoje tenho uma ponta de ciuminho quando o vejo acompanhado. Dizem que há dores de cotovelo que a gente leva por uma eternidade. Também nunca tive paciência para garotos hesitantes e indecisos. Enjoa fácil. Olha que o beijinho dele até hoje está no top five sem sofrer um abalado no ranking. Pense! Com tempo a gente aprende, na marra, que há tipos de parceiros que não funcionam com gênios difíceis. A carapuça me serve.

Solar do Unhão. Uma carta de rompimento. Dois pavilhões para uma exposição intitulada “Cuide de você”. Há uma perenidade no verbo cuidar que atravessa nosso sentimento. Lembrei do moreno que me deixou rindo sozinha. Há certas lembranças que sempre nos visitam. Sophie Calle, como poderia interpretar o email de fim de relacionamento? Como uma boa latina-americana, o chamaria para um jantar com humor “happy end” e serveria picadinho com cerveja preta. Pegava a carta, deixava bem muidinha e misturava com todos os temperos formando um lindo caldo cheio de desapego, risadas e amor altruísta. Gregoire Bouillier adoraria e ainda pediria para repetir, clandestinamente minha felicidade seria conquistada, nossas pontas de ego massageados e por fim só restaria o tinto seco a tingir nossos lábios. Brincadeira. Nem tem jeito de dissolver ou sublimar o vazio que uma pessoa bacana deixa na nossa vida. Uma vez partilhada nossa intimidade, o carinho sempre permanece de alguma maneira. Geralmente uma sensação estranha que fica. Sem dívidas. Apenas lembranças e desmemórias sobre Luciana à Francisco Dantas. É tanta coivara que a gente tem que fazer pra seguir em frente. Calle divide com a gente essa dor. Seria uma busca por uma nova lógica de amor?

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Ensaio fotodocumental de Alejandro Zambrana.

Festa do Lambe Sujo registrada por Alejandro Zambrana.

“Tava capinando, a princesa me chamou/
Alevanta nêgo, cativeiro se acabô/
Samba, nêgo, branco não vem cá/
Se vier, pau há de levar.”

(Laranjeiras * Sergipe * Brasil)

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Realizador denuncia precariedade do festival de cinema.

Realizador denuncia festival de cinema.

Por Alessandro Santana

Sergipanos são os cidadãos brasileiros, nascidos em Sergipe, menor estado da federação. Faço parte desta classificação. Nasci, cresci, vivo em Sergipe e produzo Arte. Atualmente, venho observando com uma mórbida atenção alguns sinais de descaso para com o artista sergipano. O (mal)dito artista sergipano, este que fazem questão de louvar por essas bandas, é tratado em sua terra com descaso.

O Festival Ibero-americano de cinema de Sergipe Curta-SE, promovido pela Casa Curta-SE, mais uma vez se mostra desrespeitoso para com o realizador sergipano. Desde a sua primeira edição, acompanho o festival. Trabalhei em um dos filmes exibidos no primeiro festival e estou aqui novamente participando da 9a edição como realizador, e percebi que, desde a publicação das obras selecionadas para esta última edição do festival, coisas estranhas têm acontecido. O Curta-SE continua mal em sua organização. Longe de ser um festival firme e maduro com seus 9 anos de existência, continua repetindo erros primários de produção. O que podemos esperar de um festival sergipano que não dá o devido respeito ao realizador sergipano? (e com o público também).

Dito isto, vamos aos casos: assim que recebi um e-mail p ir retirar minha credencial na Casa Curta-SE, lá vem o primeiro erro:  eu sobrenome trocado na lista de circulação interna para controle das credenciais. Até aí, tudo bem. Um pedido de desculpas resolve o problema. No primeiro dia da mostra de filmes sergipanos, somente um dos vídeos propostos para a mostra foi exibido, com defeito nos créditos e a mostra de vídeos sergipanos acabou-se aí. Os artistas sergipanos não tiveram seus filmes exibidos, assim como o público que compareceu a fim de apreciar a produção local foram desrespeitados. Na segunda mostra, ocorreu uma coisa que mexeu particularmente com a minha pessoa: senti-me desrespeitado, primeiramente por não ter sido mencionado na abertura da segunda noite, assim como também pela não inclusão do título do meu vídeo na cédula para votação do júri popular. Era como se eu não estivesse ali, ou como se, simplesmente o vídeo não existisse. Sim, eu me senti marginalizado. Não que eu estivesse fazendo questão de ganhar algum prêmio, mas simplesmente pela falta de organização (e consequente respeito) do festival para com o meu trabalho, assim como os dos realizadores que teriam seus trabalhos exibidos na primeira mostra (que só exibiu um dos quatro vídeos programados). Pois bem, vou ser bastante ingênuo ao crer, que pelo tipo de vídeo que eu faço – me dedico inteiramente aos vídeos ditos experimentais – que a produção teria esquecido exatamente da minha obra no momento de digitar a ficha pois não lembraram da estorinha que o meu vídeo contava, ou talvez o título seja muito grande e deu preguiça. Uma outra leitura do fato se resume em uma simples palavra: incompetência. Ah, esse mal que assola esta cidade.

O mesmo vídeo em questão, (Desconforto ou qualquer título que lhe caia melhor; experimental, 15:18 min) também foi selecionado para outro festival em Sergipe, o “Curta na TV” da Fundação Aperipê, onde a fundação, EM CONTRATO, se redispunha a premiar com 100 cópias a cada realizador dos vídeo selecionado. Até hoje espero essas cópias, embora agora sem mais nenhuma esperança, pois pelo que eu tenho ouvido por aí, a Aperipê está contendo despesas (e o caso desses vídeos, suponho que não os interessem mais, a partir do momento em que o realizador sergipano, que deveria por direito ter o seu devido reconhecimento, apoio e respeito pela sua contribuição à cultura local – que não é somente feita de folclore/cultura popular, e sim toda e qualquer manifestação artística produzidas aqui nesta província). Nestes dois casos me sinto me sinto desrespeitado enquanto artista e sergipano que sou, concluindo aqui com algumas perguntas intrigantes:

É desta forma que se apóia e valoriza a cultura local?
O que finalmente resta para o artista sergipano??

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