Feeds:
Posts
Comentários

Archive for julho \01\UTC 2009

Capa do álbum recém lançado.

Capa do álbum recém lançado.

Por motivos juninos dei um tempo no blog. A vida pulsa demais da conta durante o mês de junho: é festa no Bairro Santo Antônio, é samba de coco, reencontro de amigos e um monte de forrobodó nos quatro cantos. Balanço: um coração cheio de alegria e uma unha perdida. Mas toda folia tem seu fim e uma pilha de pendências no dia seguinte. Quero hoje dar uma dica. Vale essa passada rapidinha para falar dum álbum que foi lançado há pouco tempo, fim do mês passado.

Estava aqui afinando os ouvidos com cd novo do Nailon Proveta. Lembra dele? É um dos cabras que criou a Banda Mantiqueira. Proveta é um saxofonista/clarinetista retado, considerado como um dos melhores arranjadores em exercício. Que o diga Mônisa Salmaso! Dá uma olhadinha nesse trabalho recente no site. No álbum “Brasileiro Saxofone”, Proveta toca uma canção do sergipano Luís Americano, “Linda Érika”. Vale dar uma conferida no trabalho desse notável músico, mais um da linhagem do sax tocado de uma maneira brazuca de bulir com o instrumento. Ah! Fica atento também na leitura que’le fez de “Ternura” de K-Ximbinho. Comovente.

O álbum é uma passagem pela história do saxofone na música brasileira desde o século XIX até o XXI. Lançado pela Acari Records, contém 12 faixas em estilos diversos e variadas formações instrumentais, interpretadas por alguns dos mais destacados músicos em atividade atual. Sinta o molejo: Maurício Carrilho, Luciana Rabello, Pedro Paes, Cristóvão Bastos, Quarteto Maogani.

É um trabalho versátil com choro, valsa, jazz, música de câmara, coreto etc. A primeira faixa nos apresenta uma composição pouco conhecida de Pixinguinha “O que é você?”. Boa abertura para um trabalho que segue com instrumentos de palheta passeando com vigorosidade impressionante. Basta ouvir com cuidado a canção de Anacleto Medeiros, um dos responsáveis por introduzir o saxofone na música popular no país, “Implorando”; “Inclemência” de César Guarra-Peixe; “Starnats” de Moacir Santos para Stan Gertz. Repare, todos esses compositores citados são filhos do instrumento. Não é à toa.

Nailor Proveta no ataque do sax.

Nailor Proveta no ataque do sax.

Ainda é possível conferir duas composições de Nailor “Choro e Divertimento”, composta para flautista Marta Ozzeti, e “Choro de uma valsa”. Num diálogo metalinguístico com o sax – alto, tenor e soprano – como instrumento anfritião, Proveta responde acompanhado ou de cordas ou naipes de metais e até de regional. Grande repertório de releituras. Destaque para última faixa, um choro que fecha o álbum com coerência (até no título!), o clássico “Saxofone, por que choras?” de Ratinho dobradinha de Proveta & Carrilho em grande improviso.

Ótima opção para quem é apaixonado pelo fon-fon desse instrumento que encanta tantos maestros. Êee danado. No site você ouve o álbum completo e pode fazer o download de duas faixas: “Oboé com alcatra” (Proveta e Mauricio Carrilho) e “Riscador (jongo)” – 2º movimento da suíte “Três oferendas” (Pedro Paes). Psiu, corre logo!

Perfil. Nailor Azevedo iniciou a carreira profissional no final dos anos 1970 na cidade de Leme (SP). É bacharel em saxofone, líder da Banda Mantiqueira, grupo instrumental com o qual lançou os CDs “Aldeia” (1996), indicado ao Grammy, na categoria Jazz Latino, “Bixiga” (2000), “Orquestra Sinfônica de São Paulo e Banda Mantiqueira” (2004) e “Terra Amantiquira” (2005). Lançou seu primeiro álbum solo “Tocando para o Interior” em 2006, onde ele reviveu a intimidade musical do interior e o começo de sua história em banda.

Read Full Post »