Feeds:
Posts
Comentários

Archive for abril \30\UTC 2009

Todos os direitos reservados a produtora "Faz o que pode".

O curta-metragem sobre lenda indígena sergipana mais famosa vai ser apresentado em sua primeira exibição pública, na quarta-feira, dia 20 de maio, às 19h30 no auditório da Sociedade Semear. Os realizadores Alessandro Santana, Bruno Monteiro e Mauro Luciano escreveram, produziram e filmaram um curta com duração de 14’59”, quatro meses de produção e orçamento de pouco mais de R$ 30,00. Segundo Alessandro Santana “ é um filme eminentemente político que trata da formação do passado e da contemporaneidade da nossa terra de uma forma crítica e alegórica. É um filme político pela sua natureza”.

E se precariedade é uma característica do Brasil , a falta de recurso dá margem para criatividade. Com esse espírito, oito amigos se reuniram e fizeram “um filme humano, principalmente, ou até, no seu sarcasmo” como explica Mauro Luciano. Para Hernany Donato, interpretando Cristóvão (o homem-branco), existia uma vontade muito grande de fazer algo relacionado à produção cultural daqui do Estado. “Isso precisava remeter a um certo mal-estar coletivo. Precisávamos colocar em prática nossas idéias e bons devaneios. Eis que surge a figura insistente e lúcida do Cacique Serigy”, finaliza o ator.

Você confere a história completa entre o encontro do colonizador e a resistência do índio tupinambá na avant-première . Por hora, veja o trailer.

SINOPSE
Um homem em pleno contato com a natureza se vê ameaçado por uma estranha embarcação. Depois que ela aportou, nada mais foi paz no seu jardim das delícias. Um filme eletrizante que traz à tona a estória de um mito. O mito de uma tribo qualquer brasileira que se prostra diante do canto embriagante e conveniente de invasores. Muito embora imerso nesse contexto de inanição de desejos mais concretos, aflora nas brenhas deste solo as forças da natureza personificadas na figura densa do cacique Serigy, esbravejador de uma tradição contrária às tradições, esta ao mesmo tempo que se esmaga, camufla-se nas estruturas desgastadas de povos quaisquer às nossas vistas, no lugar sem dono, desértico em atitudes, só ele, o cacique para nos dar essa idéia.

FICHA TÉCNICA

Dados: Ficção, 14:59 minutos, Colorido, Stereo. Elenco: Andrezza Poconé (Cecília), Estranho (Cacique Serigy) , Frederico Leão (Pajé Zus) e Hernany Donato (Cristóvão). Roteiro e Direção: Alessandro Santana, Bruno Monteiro e Mauro Luciano. Produção: Bruno Monteiro e Alessandro Santana. Fotografia: Bruno Monteiro. Still: Anderson Bruno. Edição: Alessandro Santana.

Read Full Post »

Dupla completa bodas de prata neste ano.

Dupla completa bodas de prata neste ano.

Em passagem por Aracaju (SE), a dupla Silvério Pontes & Zé da Velha bateu um papo conosco no Teatro Lourival Baptista, localizado na mesma rua que José Alberto Rodrigues Matos deu seus primeiros passos. José Alberto é o Zé da Velha Guarda, “chorão” que aos 17 anos de idade acompanhou Pixinguinha, Bide, João da Baiana e outros. No ano em que a dupla comemora os 25 anos de união, “a menor big band do mundo”, alcunhada por Maurício Carrilho, fala sobre a sua história de parcerias musicais, a renovação do choro e os projetos para o futuro.*

Luciana Almeida – Qual sua relação com Aracaju?
Zé da Velha – Eu nasci na capital, na Rua Laranjeiras. Fui embora quando criança, sai daqui com oito anos de idade para o Rio de Janeiro. Portanto, dos 67 de vida há 59 anos passados por lá.

Luciana Almeida – Praticamente um carioca?
Silvério Pontes – Mas aí tem muito do swing sergipano (risos).

Luciana Almeida – Sua família é toda daqui?
Zé da Velha – São todos daqui, mas vivemos há muito anos no Rio de Janeiro. Meu pai já faleceu, minha mãe completou 90 anos no último dia 4 de janeiro. Tenho apenas alguns primos em Aracaju. Mas, infelizmente, perdi o contato com eles. Nunca mais tivemos informações.

Luciana Almeida – Então seu primeiro contato com a música se deu no Rio de Janeiro?
Zé da Velha – Meu pai era alfaiate e também era músico, tocava saxofone. Eu começei por iniciativa dele. Ele não quis ficar como meu professor . Sabe àquela coisa de santo de casa não faz milagre? Levava reguada dele toda vez que errava o compasso das músicas. Entre os 15 e 16 anos encontrei uma turma de garotos que tocavam numa banda de música em Olaria. Numa quarta-feira de Cinzas, o Maestro me convidou para tocar trombone no grupo. Eu já tinha a iniciação musical dada pelo meu pai e dali fui direto pra viver essa história. Foi justamente quando fui começar o Baile do Cordão do Bola Preta, onde uma parte do pessoal da Velha Guarda já tocava. Foi ali que conheci o Bide da Flauta, o João da Baiana. Um mês depois, o Bide me disse que tinha uma pessoa que queria me conhecer. Só que eu não sabia quem era. Quando cheguei lá era a casa de Pixinguinha. Ele me disse: ‘Você toca o que quiser. Fica à vontade, meu filho’.

O trombonista Zé da Velha toca com Pixinguinha (no sax), João da Bahiana (no pandeiro) e Donga (à direita, de terno escuro).

O trombonista Zé da Velha toca com Pixinguinha (no sax), João da Bahiana (no pandeiro) e Donga (à direita, de terno escuro).

Luciana Almeida – Já o seu encontro com Zé da Velha foi de tremer as pernas, não foi Silvério?
Silvério Pontes – Eu sou do interior d Rio, de Lage de Muriaé. Aprendi música pelas mãos do meu pai que ouvia muitos bolachões. Eu ouvi desde criança o Zé tocando com Abel Ferreira, Paulo Moura , Jacob do Bandolim graças ao que meu pai me ensinava. Zé é um dos mestres do choro, a vara do trombone dele já tirou até a peruca que Waldir Azevedo usava. Entre conhecê-lo de ouvir na radiola ao encontro pessoalmente eu já estava morando na capital . Eu trabalhava , na época, numa bar no Centro chamado “Boca da Noite”. Era do lado da Bolsa de Valores, na rua do Mercado. Tocava até com um flautista que faleceu, Cláudio Camunguelo. Ele conhecia o Zé das rodas de choro nos subúrbios em São Cristóvão, na “Rua Bela”. Foi quando Zé foi dar uma canja. Eu como um fã fiquei ali tremendo as pernas , porque todos já os respeitavam muito pelo jeito diferente de tocar, porque ele fazia exatamente o que o Pixinguinha fazia, o contracanto. Fiquei observando ele, vendo àquele bigodinho fininho e cabelo todo para trás. Com muita naturalidade, ele ia tocando uma música atrás da outra. Lembro de só ter conseguido acompanhar unas duas canções, porque além de ter ficado lá encantado o vendo tocar, eu mal tocava choro, apenas sambas.

Luciana Almeida – Mas desse encontro ao projeto de unir os dois parceiros de sopro, como aconteceu?
Silvério Pontes – Ah, daí eu começei a encher o saco dele. Peguei o telefone, ligava perguntando onde iria tocar. Então ia para todo lugar onde ele se apresentava, aparecia em toda roda de choro. Um dia faltou um clarinetista na “Rua Bela”. Era minha oportunidade. Perguntaram se eu não queria ir tocar. Quando fui substituir o cara eu já estava tocando uns oito choros. Depois começei a pegar as partituras e me dedicar, fui na Escola Nacional de Música pra aprender os choros. Ficava em casa treinando, na outra semana eu já sabia tocar mais três, a cada semana meu repertório ia aumentando. Quando fui ver estava tirando muitas canções, a partir desse momento a união foi acontecendo de maneira espontânea…
Zé da Velha – Hoje esse aí sabe tocar mais do que eu (risos)…
Silvério Pontes – Que nada, esse sabe tudo (risos). Nossa parceria ocorria desde 1984. Mas nosso encontro é oficializado com a gravação do álbum “Só Gafieira” (1995). Esse ano completamos 25 anos da dupla e 51 anos de trombone do Zé. Os parceiros de música a gente encontra na vida, sabe, é coisa de alma gêmea. Zé tocou com todos os grandes músicos do choro, mas temos esse mistério da afinidade. É muito difícil, no Brasil, você ter uma dupla de trombone e trompete. Normalmente, a gente ver mais clarinete e bandolim. Agora um regional com trombone e trompete é uma coisa diferente. Acho que isso também fez nos completar. Depois de Pixinguinha & Benedito Lacerda, a dupla com maior tempo de estrada, hoje, somos nós. Em 1995 o álbum “Só Gafieira” foi indicado ao prêmio Sharp, nosso segundo, no ano 1999 “Tudo Dança – Choros, Maxixes, Sambas”, ganhou cinco estrelas do Jornal “O Globo”, escolhido como o melhor disco instrumental , no ano de 2000, nosso terceiro álbum “Ele e eu” também foi bastante elogiado pela crítica. Depois fizemos um outro registro, só que dessa vez ,ao vivo, no Teatro Municipal em Niterói . Foram diversos convidados, participaram Dona Ivone, Luiz Melodia, Zé Paulo Becker e Rildo Hora. No ano de 2006, gravamos o “Só Pixinguinha” vencedor do prêmio BR da Música.

Luciana Almeida – Depois de tantos anos de carreira, vocês observam quais modificações na cena dos chorões no Brasil?
Zé da Velha – Tem muito músico novo tocando choro, a geração está sendo renovada. Em falo por conta de exemplos como a Escola Portátil de Música, do Maurício Carrilho, a Escola de Choro Rafael Rabello em Brasília. A gente ver muita meninada tocando em outros lugares, fora do eixo Rio de Janeiro Nessas rodas de choro do país sempre tem um garoto tocando um cavaquinho, um bandolim. O Nordeste tem um vínculo muito forte com choro. Você vai em São Luís, tem Clube do Choro, vai em Fortaleza você encontra músicos de grande talento.
Silvério Pontes – O choro é como uma comunhão, ele vai passando de pai para filho. O violão vai passar , logo cedo, na mão do garoto. Eu acho o choro uma religião, às vezes, nem é um tipo de música mais. Porque numa roda todo mundo comunga dela. Pode observar: há sempre um garoto, um rapaz de meia idade, outro mais velho. É uma música sem faixa etária, ela consegue unir todos os tipos de gerações. Um bom exemplo é a cidade do Recife, lá me parece ocorrer uma renovação constante. Em relação ao instrumento de sopro, os pernambucanos estão bem mais a frente do que os cariocas. Vi uma garotada tocando muito bem, no ano passado, quando fui acompanhar o Luiz Melodia no carnaval. Uma orquestra subiu no palco na madrugada da quarta-feira de Cinzas, no último dia, com 150 músicos. Eram dezenas de trompetistas, trombonistas, saxfonistas dentre
garotos e meninas. Nesse sentido o trabalho da Spok Frevo Orquestra é maravilhoso.

Luciana Almeida – Isso demonstra que o choro, em cada lugar, leva um sotaque?
Silvério Pontes – Lá no Rio de Janeiro temos um choro muito influenciado pelo samba, no Recife é o choro frevado, em Fortaleza é uma linguagem do forró e a sanfona no meio, em Brasília todos assimilam o choro de vários lugares. Então, você percebe essas misturas e tudo é música brasileira. Isso é genial.

Luciana Almeida – Como é a cena de choro no Rio de Janeiro?
Silvério Pontes – Pelo incrível que pareça, eu acho, que nesse momento, os músicos de choro na nossa cidade tem pouco lugar para tocar. É uma cidade que tem um bairro como a Lapa, onde só há uma ou duas casas de choro, mesmo assim com apresentações preliminares para outra atração. O espaço de música por lá é mais voltado para o samba. É uma pena, porque o Rio de Janeiro é uma cidade berço do choro e da música instrumental. Com essa falta de espaço na noite carioca, hoje, os músicos de choro estão tocando samba. O mercado de trabalho está voltado totalmente para esse tipo de gênero musical. Ainda bem que existe gravadoras especializadas também em choro, como a Biscoito Fino, a Acari Records, a Rob Digital, Kuarup Discos.

Luciana Almeida – Falta mais visibilidade?
Silvério Pontes – O que falta na cena de choro é a televisão mostrar mais. Para formar público você tem que envolver educação. A escola tem que ensinar música. O menino tem que sair sabendo quem foi Pixinguinha, Ernesto Nazaré. A música tem que fazer parte do currículo escolar, como se fosse uma matéria a mais. Maioria dos países fazem isso, por que no Brasil não faz? Não somos um país musical pra caramba? Falta divulgar mais para nossas crianças , falta informação, não há programas infantis com música brasileira. E é uma faixa de idade onde você assimila muito bem desde “Carinhoso” ao funk. Por exemplo, o documentário “Brasileirinho” (direção de Mika Kaurismaki) foi muito importante para divulgação do nosso trabalho no exterior. Ali foi plantado um embrião, somos convidados para tocar em festivais por conta da exibição desse material pela Europa.

Luciana Almeida – E qual é a receptividade do público europeu com a música de vocês?
Zé da Velha – Somos apresentados como “jazz latino choro” (risos).
Silvério Pontes – Na verdade, o choro é mais antigo que o jazz. O choro é melhor que o jazz. Você não acha,não? Além de ser mais bonito, o choro é dividido tecnicamente em três partes. Já o jazz só tem duas. Nós tivemos músicos como Ernesto Nazaré, Jacob do Bandolim, Bonfiglio de Oliveira. Só Pixinguinha deve ter , pelo menos, umas trezentas músicas que não foram gravadas, totalmente inéditas. Você acredita nisso? Tem muita coisa para ser gravada. Além disso, temos bons compositores como o José Paulo Becker, que está no terceiro ou quarto álbum com música autoral. Todos os músicos, por exemplo, do grupo “Nó em Pingo D’água”, o Rodrigo Lessa, Rogério Souza estão compondo. Tive, recentemente, um composição em parceria com Chico Nacarati, chamada “Maxixe da Família” gravada pelo Luiz Melodia no especial MTV.

Luciana Almeida – Qual vai ser o novo álbum para comemorar os 25 anos da “maior big band” do mundo?
Zé da Velha – Queremos música global (risos). Antigamente, eu tocava muito bolero nos bailes e gafieiras, era música pra dançar. A gente gosta mesmo de tocar pra todo mundo mexer.
Silvério Pontes – Esse ano queremos gravar um álbum só com boleros. Estamos com um convite do Cristóvão Bastos para gravar esse disco. O João Lira vai nos acompanhar no violão.

Luciana Almeida – Aos 48 anos, Zé, você estava tocando com quem?
Zé da Velha – Acompanhava a banda dos músicos de Paulo Moura, Abel Ferreira e Joel Nascimento.

Luciana Almeida – E aos 67 anos, Silvério, você vai estar …?
Silvério Pontes – Tocando com Zé , completando uns oitenta e poucos. Nossa diferença é pequena, apenas 20 anos. Essa dupla ainda vai render muito.
Zé da Velha – Tomara!

* Entrevista concedida no dia 02 de janeiro de 2009. A publicação é uma homenagem ao dia Nacional do Choro – aniversário do Mestre Pixinguinha.

Read Full Post »

Cena do filme de Joaquim Pedro de Andrade.

Cena do filme de Joaquim Pedro de Andrade.

“No fundo do Mato-Virgem nasceu Macunaíma, herói de nossa gente. Era preto retinto e filho do medo da noite. Houve um momento em que o silêncio foi tão grande escutando o murmurejo do Uraricoera, que a índia tapanhumas pariu uma criança feia. Essa criança é que chamaram de Macunaíma.

Já na meninice fez coisas de sarapantar. De primeiro passou mais de seis anos não falando. Si o incitavam a falar exclamava:

– Ai! que preguiça!…”

(Mário de Andrade)

Ao ler o conceito de liberdade por Marilene Chauí logo lembrei numa imagem de total impacto e de reinvenção: nosso herói sem caráter. Um esboço de como é nossa visão artística precária brasileira. Sempre provisória, instável e incerta. O próprio conceito de criação artística no Brasil passa por esquemas e processos que se deglutem, recriam e subvertem. Nossa ironia e estratégia.

A transitoriedade da forma, a precariedade do material e a desmaterialização. Conceitos mais que enaltecidos por toda uma geração que professa a arte para muito além de sua suposta utilidade. Ou seja, a artista não fez um trabalho para ser destruído. Ao contrário. O que poderia ser visto como a destruição da obra é a própria obra.

Precariedade de nosso sistema cultural, cujo atraso frente à modernidade internacional vem sendo sobejamente estudado por nossa historiografia da arte. Por outro lado, podemos perceber ligações entre a tal precariedade institucional e a carência de análises materiais das linguagens de nossos artistas modernos e contemporâneos. O que existe é nexos entre o processo estético e os demais processos de construção e transformação do real contemporâneo, a partir da investigação dos mecanismos de juízo e legitimação estéticos que caracterizam o sistema de arte e hierarquizam as posições dos trabalhos e seus efeitos concretos na elaboração das obras.

Esse é o país que viveu o liberalismo com a escravidão – a transferência da Corte portuguesa para o Brasil, a iniciativa de abrir os portos brasileiros às nações amigas (1808) até 1888, com a promulgação da lei Áurea – , o movimento modernista (década de 20) sem modernização, o surto dum movimento desenvolvimentista (década de 50) ,repletos de contradições e baseado no capital estrangeiro. Ou como diria Roberto Schwarz a idéia “fora do lugar”, num país onde a ideologia chega antes do processo, a mercantalização da cultura sem a modernização nacional. Como num exemplo citado no livro a “Moderna Tradição Brasileira – cultura brasileira e indústria cultural” , de Renato Ortiz, até o ano de 1946 não houve revista ou jornal com tiragem maior que 200 mil exemplares.

Mas não vamos esquecer que grande parte das mais contundentes realizações brasileiras na arte nascem justamente das abordagens de superação frente às variadas limitações sociais, políticas, culturais e mesmo pessoais impostas a todos envolvidos. Como diria o precursor do movimento Tropicalista, Hélio Oiticica, ‘da adversidade vivemos’. Seria possível admitirmos uma poética do precário a favor de nossa própria concepção de arte?

O recorte feito nessa análise parte também pelo entendimento de uma idéia de um pós-modernismo em países de capitalismo tardio. O entendimento do conceito na produção artística brasileira soa como característica para investigar seu curso. Segundo Paola Berenstein, no seu livro “ A estética da ginga”, Oiticica representa, com seus parangolés, a cultura dos morros, a arte intuitiva da arquitetura fragmentada e rizomática das favelas.

"Roda da fortuna" por Bispo.

"Roda da fortuna" por Bispo.

Essa liberdade & precariedade, quase uma bricolagem tupiniquim, é perceptível na obra do sergipano Arthur Bispo do Rosário. Na figura, à esquerda, “Roda da Fortuna” temos um exemplo da produção artística de alguém que nunca teve acesso a “Roda de bicicleta” de Duchamp. Como explicar seus assemblage, mantos, readymade?

Sem dúvida, Bispo & Grande Otelo nos apresentam caminhos.

Read Full Post »

Chauí: colocando dinamite na cabeça do século.

Chauí: colocando dinamite na cabeça do século.

“ A liberdade é a capacidade para darmos um sentido novo ao que parecia fatalidade, transformando a situação de fato numa nova realidade, criada por nossa ação. Essa força transformadora, que torna real o que era somente possível e que se achava apenas latente como possibilidade, é o que faz surgir uma obra de arte, uma obra de pensamento, uma ação heróica, um movimento anti-racista, uma luta contra a discriminação sexual ou de classe social, uma resistência a tirania e uma vitória contra ela. (…) A liberdade, porém, não se encontra na ilusão do “posso tudo” nem no conformismo do “nada posso”, Encontra-se na disposição para interpretar e decifrar as linhas de força e direções do campo presente como possibilidades objetivas, isto é, como abertura de novas direções e de novos sentidos a partir do que está dado.”

Trecho do capítulo 6 – A liberdade como problema
Convite à Filosofia De Marilena Chaui

Read Full Post »