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Nem Tristão, nem Isolda.

Público & privado se confundem no trabalho de Calle.

Público & privado se unem no trabalho de Calle.

Se cuide“. Quem nunca ouviu falar essa expressão? E você, cara leitora, também? Troquemos figurinhas. As situações nas quais a senti na pele doeram. Sempre foram em momentos de ruptura. Mas a primeira vez a gente nunca esquece. Tinha 18 anos e um namoradinho, que gerou uma fixação daquelas, foi me deixar em casa quando sem mais nem menos soltou a bendita expressão. Entrei no prédio, chamei o elevador. Daí a luz vermelha que havia apertado me disse: tinha ganho um pé na bunda fino. Uma vez lerda, eterna lerda. Tempos depois dei corda pro danado – realmente a figura é uma graçinha, engraçado, inteligente e complicadinho (do jeito que o diabo gosta, né?) Foi assim que ouvi ele terminar de novo, agora por telefone, com um clássico “a gente se vê”. Ai, ai, ai… Até hoje tenho uma ponta de ciuminho quando o vejo acompanhado. Dizem que há dores de cotovelo que a gente leva por uma eternidade. Também nunca tive paciência para garotos hesitantes e indecisos. Enjoa fácil. Olha que o beijinho dele até hoje está no top five sem sofrer um abalado no ranking. Pense! Com tempo a gente aprende, na marra, que há tipos de parceiros que não funcionam com gênios difíceis. A carapuça me serve.

Solar do Unhão. Uma carta de rompimento. Dois pavilhões para uma exposição intitulada “Cuide de você”. Há uma perenidade no verbo cuidar que atravessa nosso sentimento. Lembrei do moreno que me deixou rindo sozinha. Há certas lembranças que sempre nos visitam. Sophie Calle, como poderia interpretar o email de fim de relacionamento? Como uma boa latina-americana, o chamaria para um jantar com humor “happy end” e serveria picadinho com cerveja preta. Pegava a carta, deixava bem muidinha e misturava com todos os temperos formando um lindo caldo cheio de desapego, risadas e amor altruísta. Gregoire Bouillier adoraria e ainda pediria para repetir, clandestinamente minha felicidade seria conquistada, nossas pontas de ego massageados e por fim só restaria o tinto seco a tingir nossos lábios. Brincadeira. Nem tem jeito de dissolver ou sublimar o vazio que uma pessoa bacana deixa na nossa vida. Uma vez partilhada nossa intimidade, o carinho sempre permanece de alguma maneira. Geralmente uma sensação estranha que fica. Sem dívidas. Apenas lembranças e desmemórias sobre Luciana à Francisco Dantas. É tanta coivara que a gente tem que fazer pra seguir em frente. Calle divide com a gente essa dor. Seria uma busca por uma nova lógica de amor?

Ensaio fotodocumental de Alejandro Zambrana.

Festa do Lambe Sujo registrada por Alejandro Zambrana.

“Tava capinando, a princesa me chamou/
Alevanta nêgo, cativeiro se acabô/
Samba, nêgo, branco não vem cá/
Se vier, pau há de levar.”

(Laranjeiras * Sergipe * Brasil)

Realizador denuncia precariedade do festival de cinema.

Realizador denuncia festival de cinema.

Por Alessandro Santana

Sergipanos são os cidadãos brasileiros, nascidos em Sergipe, menor estado da federação. Faço parte desta classificação. Nasci, cresci, vivo em Sergipe e produzo Arte. Atualmente, venho observando com uma mórbida atenção alguns sinais de descaso para com o artista sergipano. O (mal)dito artista sergipano, este que fazem questão de louvar por essas bandas, é tratado em sua terra com descaso.

O Festival Ibero-americano de cinema de Sergipe Curta-SE, promovido pela Casa Curta-SE, mais uma vez se mostra desrespeitoso para com o realizador sergipano. Desde a sua primeira edição, acompanho o festival. Trabalhei em um dos filmes exibidos no primeiro festival e estou aqui novamente participando da 9a edição como realizador, e percebi que, desde a publicação das obras selecionadas para esta última edição do festival, coisas estranhas têm acontecido. O Curta-SE continua mal em sua organização. Longe de ser um festival firme e maduro com seus 9 anos de existência, continua repetindo erros primários de produção. O que podemos esperar de um festival sergipano que não dá o devido respeito ao realizador sergipano? (e com o público também).

Dito isto, vamos aos casos: assim que recebi um e-mail p ir retirar minha credencial na Casa Curta-SE, lá vem o primeiro erro:  eu sobrenome trocado na lista de circulação interna para controle das credenciais. Até aí, tudo bem. Um pedido de desculpas resolve o problema. No primeiro dia da mostra de filmes sergipanos, somente um dos vídeos propostos para a mostra foi exibido, com defeito nos créditos e a mostra de vídeos sergipanos acabou-se aí. Os artistas sergipanos não tiveram seus filmes exibidos, assim como o público que compareceu a fim de apreciar a produção local foram desrespeitados. Na segunda mostra, ocorreu uma coisa que mexeu particularmente com a minha pessoa: senti-me desrespeitado, primeiramente por não ter sido mencionado na abertura da segunda noite, assim como também pela não inclusão do título do meu vídeo na cédula para votação do júri popular. Era como se eu não estivesse ali, ou como se, simplesmente o vídeo não existisse. Sim, eu me senti marginalizado. Não que eu estivesse fazendo questão de ganhar algum prêmio, mas simplesmente pela falta de organização (e consequente respeito) do festival para com o meu trabalho, assim como os dos realizadores que teriam seus trabalhos exibidos na primeira mostra (que só exibiu um dos quatro vídeos programados). Pois bem, vou ser bastante ingênuo ao crer, que pelo tipo de vídeo que eu faço – me dedico inteiramente aos vídeos ditos experimentais – que a produção teria esquecido exatamente da minha obra no momento de digitar a ficha pois não lembraram da estorinha que o meu vídeo contava, ou talvez o título seja muito grande e deu preguiça. Uma outra leitura do fato se resume em uma simples palavra: incompetência. Ah, esse mal que assola esta cidade.

O mesmo vídeo em questão, (Desconforto ou qualquer título que lhe caia melhor; experimental, 15:18 min) também foi selecionado para outro festival em Sergipe, o “Curta na TV” da Fundação Aperipê, onde a fundação, EM CONTRATO, se redispunha a premiar com 100 cópias a cada realizador dos vídeo selecionado. Até hoje espero essas cópias, embora agora sem mais nenhuma esperança, pois pelo que eu tenho ouvido por aí, a Aperipê está contendo despesas (e o caso desses vídeos, suponho que não os interessem mais, a partir do momento em que o realizador sergipano, que deveria por direito ter o seu devido reconhecimento, apoio e respeito pela sua contribuição à cultura local – que não é somente feita de folclore/cultura popular, e sim toda e qualquer manifestação artística produzidas aqui nesta província). Nestes dois casos me sinto me sinto desrespeitado enquanto artista e sergipano que sou, concluindo aqui com algumas perguntas intrigantes:

É desta forma que se apóia e valoriza a cultura local?
O que finalmente resta para o artista sergipano??

Carta aberta

Nu reclinado (1917) - Amedeo Modigliani

Nu reclinado (1917) - Amedeo Modigliani

Mais vale uma filha na mão/ Do que dois pais voando
Você não gosta de mim, mas sua filha gosta
Você não gosta de mim, mas sua filha gosta
Jorge Maravilha” – Leonel Paiva / Julinho da Adelaide (Chico Buarque)

Sou fã das filhas dos coronéis.

Eu acho lindo que as jovens estejam retirando seus pais, homens da mais alta hierarquia militar, do desempenho de funções. Setembro de 2008. Coronel Péricles Menezes, comandante da Polícia Militar de Sergipe, é exonerado pelo Governador Marcelo Déda após arrombamento de uma casa na tentativa de encontrar sua filha de 16 anos com um suposto namorado. Setembro de 2009. Coronel Maurício Iunes, comandante do policiamento da capital, deixa o cargo depois de um jovem de 20 anos denunciá-lo por espancamento. Razão: o estudante ter tido um encontro furtivo com sua filha de 14 anos. É… não tem curso, nem patente que ensine a fórmula de como ser pai.

Não falo isso com veneno jornalístico, mas como mulher e moradora de uma cidade com comportamento hipócrita como Aracaju. Toda uma celeuma porque uma situação familiar foi exposta publicamente por conta do poder que seus protagonistas exercem. Sabe o que seria sensacional? O pai chamar esse “jovem comedor” para um bate papo no barzinho da esquina. Quando vamos ter um outro tipo de comportamento sobre a vida sexual dos nossos filhos? Mas os jornais vão continuar vendendo mais edições por essas histórias (Ah! Nelson Rodrigues, saudade do seu texto).

A meninada é ligadíssima na internet, navega em tudo que é site sem caretice. Aliás, vê Big Brother com a família no sofazão da sala. Programinha que só desinforma, estimula competição, esvazia o senso de coletividade, justifica a picaretagem, legitima apropriação desmedida do capital (o sonho do pobre querer ser milionário é um contra-senso), além de deserotizar os corpos (tudo é produto em exposição e para compra na próxima edição da Playboy). Ops… tinha esquecido que vivemos na cidade onde os motéis são chamados de pousada (criam até lei municipal pra isso!), livro de escritor sergipano é proibido no vestibular porque fala de sexo e na propaganda somos exemplos da qualidade de vida no Brasil. Engraçado, não?

Tudo se justifica. Nesse mondo bizarro (com a licença de Saulo Coelho), fico com as palavras do finado Newman Sucupira, poeta e fotógrafo que escreveu “Contos malditos e histórias de mim”, que já dizia que Aracaju fede, principalmente, quando é para falar da conduta moral dos seus moradores. Estou do lado dessas jovens. Nada menos adolescente do que namorar escondido, contar um desdobro pros pais e viver uma experiência. Juventude é descoberta. Apesar de novinhas, essas garotas demonstram que são decididas. Agora, imagina como seria diferente o comportamento desses pais se o caso fosse com filhos/homens.

Fardados ou não fardados, está na hora de atualizar o conceito de papai e mamãe. Autoridade nenhuma nesse mundo vai dar conta da habilidade dessa juventude orkuteira/twitteira. Eles são mais inteligentes e capazes do que seus velhos. Comecem a ter argumentos e, por favor, não leve um caso bobo como namoros proibidos para delegacia. O erário público agradece. Façam jus aos anos de experiência. Seus cabelos brancos indicam que o tempo passou, não que o mundo ficou velho. Há novas práticas de relacionamento. Hoje ser adulto está intimamente ligado ao desapego e responsabilidade afetiva. E se preparem logo, porque muita coisa tá rolando por aí.

Dêem meninas, dêem com carinho, amor e camisinha (codinome do juízo)! Dêem porque vocês querem.

Cheiro!

Lu Almeida, por favor menos neura no mundo.

Aláfia

Bora Maestro! Isso que é respiração circular no soprano reto.

Bora Maestro! Isso que é respiração circular ...

É impressionante a quantidade de bons músicos que a Bahia reserva. Gostaria de vê-los, mais vezes, na imprensa pela somzera que fazem e não só pelas paradas de sucesso. A Ivete Sangalo mesmo tem um maestro como Letieres Leite no sax alto. Um cabra responsável por nada menos que a Orkestra Rumpilezz. Você já ouviu?

Vi a formação completa ontem (dia 24) no XVI Festival de Música Instrumental da Bahia no mesmo palco onde eles se apresentaram pela primeira vez, Teatro Castro Alves. Fiquei super emocionada. Ó paí, ó! Coisa linda, viu? hehehehe

Tentei duas vezes entrevistar esse miseravão. Sem êxito. Deixe estar, um dia pego o danado pra um longo bate papo – incluindo o ex-Sec Banda (SE), digníssimo Gilberto Jr. (trompete). Enquanto não rola, dá uma lidinha na prosa feita por Fernando de Lucena e Renata D´Elia.

Limpe os ouvidos: Coisas (1965) Maestro Moacir Santos e Orquestra AfroBrasileira (1968) do Maestro Abigail Moura.

Vale 1/4

Dia Santo : projeções e muito batuque no altar.

Dia Santo : projeções e muito batuque no altar.

O show de Jam da Silva no Seminário de Olinda foi uma experiência à Albert Hoffman. Sensorial.

À qualidade de vida

Miragens do centro

Um homem chorando sozinho
em cima de um prédio…
Às duas da matina,
uma vida de tédio
pode, com um passo,
pra sempre acabar.

Um velho doente que passa
pedindo uma esmola,
um menino carente
de colo tem cola
e deseja um futuro
que nunca virá.

Não virá para os que sobrevivem
debaixo das pontes,
ou então agrupados aos montes,
nas escadarias sob as catedrais.
Infelizes dos olhos tão secos,
os travecos, as putas dos becos
dos sufocos, dos cocos, dos loucos,
miragens reais.

Em todo o centro da cidade,
nas praças, na lama
dos mangues, há sempre
alguém que te chama,
bastaria abrir
os seus olhos pra ver.

Pra ver que, na vida, você
nunca viu quase nada,
só o seu umbigo
e sua cara inchada
de sono no espelho
pelo amanhecer.

E você, isolado do mundo
num arranha-céu,
não enxerga o buraco profundo
pro qual a cidade um dia escorreu.
Não enxerga também no horizonte
o horizonte de quem já não tem
horizonte, só tem uma ponte
que não leva a nada
nem leva a ninguém.

Sob a ponte, meu senhor,
Sob a ponte impera a dor.

[Wedmo Mangueira/Helmir Etílico]

Por André Dahmer

Uma tirinha vale mais do que mil palavras.

Uma tirinha vale mais do que mil palavras...

Belchior

Tenho inveja de pessoas como Belchior.
Quero inventar um destino que nem Suely.
Rifar noites no paraíso e buscar meu Alasca.
Into the wild. Sem medo e com pisada firme.

A minha alucinação
É suportar o dia-a-dia
E meu delírio
É a experiência
Com coisas reais…


Bang Bang, filme de Andrea Tonacci

Bang Bang, filme de Andrea Tonacci

Democratização da Informação. Êita expressão grande. Muito proclamada nos meios acadêmicos e agora praticada às pampas. Graças à ferramenta internet e meia dúzia de desocupados temos acesso a livros, álbuns fora do catálogo. Ah! sem falar nos filminhos raros. Foi no site Making Off que encontrei a liberdade de distribuição. Coisa linda o gesto de oferecer. Atualmente a turma está com dossiê sobre o Cinema Marginal. Troca de figurinhas interessante. São mais de 40 títulos sendo semeados.

Já ouviu falar do filme “HITLER 3º MUNDO“? É de 1968, feito em São Paulo, 90 minutos, em 16mm, p&b. A produção, direção e roteiro é do profeta do Supercaos José Agrippino de Paula. Fotografia: Jorge Bodanzky. Montagem: Rudá de Andrade e Walter Luís Rogério. Cenografia: Sebastião de Souza. Música: Ivan Mariotti e Judimar Ribeiro. Elenco: Jô Soares, José Ramalho, Eugênio Kusnet, Luiz Fernando Rezende, Túlio de Lemos, Sílvia Werneck, Maria Esther Stockler, Ruth Escobar, Jairo Salvini, Danielle Palumbo, Jonas Mello, Carlos Silveira, Fernando Benini, Manoel Domingos.

Jô Soares interpreta um samurai em plena favela.

Jô Soares interpreta um samurai em plena favela.

Esse foi o release feito por Olavo de Campana, Minas Gerais: “Anárquico e Colossal! Uma obra explodindo liberdade. Será que um Hitler conseguiria viver no Terceiro Mundo? Por meio de contrastes severos, um Brasil escondido, pouco falado, mas gritado pelo olho de José Agrippino de Paula em uma 16mm. O progresso pariu a miséria e a aflição? Tudo pela televisão? Falsos profetas aparecerão? Clandestino e surreal, aproveitem esse filme que nunca foi lançado comercialmente, e perceberão uma semelhança aterrorizante com o mundo em que vivem”.

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